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One Piece: a série (resenha)

 


   O tão aguardado live-action de One Piece fez sua estreia e foi amplamente recebido de braços mais do que abertos pelos fãs do mangá de Eiichiro Oda e teve, também, uma boa recepção daqueles que jamais leram o mangá ou assistiram ao anime de mesmo nome. A série conta com 8 episódios, cada um com um tempo de exibição diferente, que varia entre 49 minutos a um pouco mais de 1 hora de duração, esses 8 episódios adaptam desde o arco Romance Dawn até o fim do arco Arlong Park da obra original.

   A obra precisou fazer diversos cortes na história para conseguir concluir a primeira temporada em um bom desfecho para o live-action, creio que a série teve um desempenho satisfatório em relação a essa parte da produção, exceto por uns tropeços como os dois episódios focados na tripulação quando estão na cidade natal de Usopp, que ficou quase insuportável de assistir na adaptação de tão chato que é, e a cena do chapéu, com o Luffy colocando o chapéu de palha dele na Nami, tão marcante no mangá por causa de toda a construção simbólica feita pelo autor, e é devido a essa construção de símbolos que faz a cena se tornar tão marcante para tantas pessoas, na adaptação eu não vejo nenhuma lógica para estar no live-action senão para agradar os fãs, uma vez que não há nenhuma construção para ela em toda a série, exceto uma única vez que Luffy fala sobre o chapéu ser o seu tesouro por um momento muito breve no segundo episódio.

   A estética da série não é de meu agrado, a fotografia é feia, me lembra até uma versão feita para fãs, a paleta de cores não é do meu agrado, me parece usar um tom meio marrom misturado com cores mortas, as cenas são muito escuras em alguns momentos, alguns enquadramentos são feios, como aqueles que focam no rosto dos personagens, o CGI está em um nível que podemos fazer vista grossa, a caracterização dos personagens ficou boa, eu gostei dela, se manteve fiel aos designes originais, alguns cenários ficaram bem feitos, e o fundo verde da série, num geral, é algo muito triste de ver, fico com dor de cabeça só de lembrar.

     A atuação de todo o elenco não me desagradou, exceto a atuação do Luffy. Iñaki Godoy não é um bom Luffy, ele não entende o personagem e tão pouco consegue reproduzir de maneira satisfatória o Luffy do mangá ou mesmo o do anime, o ator pensou que estava captando a essência do personagem, infelizmente ele está bem longe disso. E uma outra coisa que me desagradou foi o personagem do Arlong, que em nenhum momento se mostra ameaçador ou um perigo para Luffy na luta final da adaptação.

   Falarei rapidamente da dublagem: eu não gosto da dublagem de One Piece para o anime. No live-action a dublagem brasileira funcionou, exceto a do Luffy. Sua segunda voz brasileira, assim como a primeira, são uma ofensa e são irritantes.

   One Piece: a série é algo que você deve assistir querendo se entreter, com o senso crítico desligado. Eu assisti a primeira temporada do início ao fim, mas eu não veria uma segunda temporada dessa adaptação. Com alguma sorte, essa produção tenha um impacto positivo na indústria e o ocidente traga mais séries live-actions de coisas mais realistas como Monster, Nana, Ashita no Joe, ou que traga mais adaptações em live-actions de outras obras famosas. Vale lembrar que a Netflix ainda está produzindo um live-action de Gundam e YuYu Hakusho, vamos esperar para ver o que sai disso. 

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