Publicado pela Weekly Young Jump, Innocent se destacou por um estilo refinado em sua arte. Todos capítulos esbanjam de qualidade estética competente e detalhista, apesar de ser feito semanalmente. Talvez o enredo e personalidade de certos personagens - feito a Marie-Joseph Sanson - acabe atrapalhando a experiência e certos exageros visuais, como a tortura feita nos primeiros capítulos, só passa uma impressão retórica.
A história é centrada no Monseiur de Paris Charles-Henri Sansour qual deve lidar com o fato de ser o sucessor da dinastia Sansour, uma família de carrascos reais. É levemente baseado na vida de Charles-Henri Sansour e o roteiro se desenvolve sobre um humanista que não pode fugir do seu dever familiar: de executar. O ponto alto do mangá é a execução do homem condenado a patricídio, pois é o "turning point" da personalidade do protagonista.
Por mais que a arte "pura", qual alguns quadros são bem-feitos por si mesmo, seja boa, é interessante notar as páginas dedicadas a apenas sugerir uma ação. Ao invés de mostrar tripas voando, crânios quebrando, pernas sendo arrancadas, o Sakamoto as sugere por meio de "metáforas" visuais. Frutas e sapos sendo esmagados, uma estátua de Atlas sendo destroçada, etc.
Além da sugestão de violência ao invés de ser direta e literal, as "metáforas" servem como uma maneira de vermos o mundo aos olhos de Charles-Henri Sanson, fazendo ver os conflitos internos deste carrasco. Do completo temor, à desumanização e até chegar a uma certa compaixão ou aceitação - infelizmente, parece que Shinichi perde o tato na hora de escrever a história após soltarem os cavalos.
Apesar da obra deixar muito a desejar no campo do enredo, fica difícil negar as qualidades artísticas de Sakamoto Shinichi e de sua trupe de assistentes. Mesmo sendo uma publicação semanal, tem um capricho tremendo em cada página que passa com consciência de que uma página ou quadro são contínuos e com uma melodia própria, não são apenas tapa-buracos que apenas antecipam algo impactante.
Duas pequenas notinha é que, primeiro, apesar de muitas liberdades e ser evidentemente uma ficção, o autor até trata com fidelidade alguns detalhes e personagens históricos. Quem gosta de ver sobre história francesa pré-revolucionária, há um prato cheio para se esbaldar. Outra, não recomendo para quem se sente muito incomodado com excesso de violência, androginia forçada e imagens fortes. De resto, é uma obra que, nas mãos de um bom diretor, daria um ótimo filme.





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